História do vibrador

Engana-se quem pensa que o vibrador foi desenvolvido apenas para a mulher explorar prazer sexual. É importante destacar que o vibrador surgiu como “remédio” para o tratamento de mulheres histéricas.

No século XIX e início do século XX acreditava-se que a histeria acometia mulheres sexualmente suprimidas. Alguns sintomas como irritabilidade, ansiedade e insônia caracterizavam essa desordem. Pois para os padrões sociais daquela época, as mulheres pouco exploravam sua sexualidade.

Naquela época, os médicos realizavam a cansativa tarefa de massagear a vulva, para tratar a histeria. Nesse contexto, mais precisamente no ano de 1869, surge o primeiro vibrador, a vapor, que então viria a ocupar o papel do médico nesse tratamento. Pois seu uso era mais eficiente e menos desgastante para o tratamento do que o trabalho manual dos médicos.

Após algumas décadas, surge o primeiro vibrador elétrico, lançado no mercado no ano de 1899. A partir de então, começaram a surgir muitos modelos do aparelho. Era comum eles serem vistos no mercado como utensílios domésticos.

Contudo, com o decorrer do século XX, notou-se uma expansão da liberdade sexual. Certamente, a sexualidade passou a se expressar de forma mais livre, sem muito regramento, rompendo com muitos tabus.

Com isso, a exploração do prazer sexual se tornou mais livre e o vibrador, antes visto como um acessório médico, passou a ser usado como objeto de prazer. Em outras palavras, a mulher passou a usá-lo para garantir sua satisfação sexual em momentos solitários.

Tratamento de disfunções sexuais

Mas não pense que vibrador como instrumento de tratamento médico ficou apenas no passado. Embora hoje seu uso esteja desvinculado da saúde, ele também tem sua utilidade no tratamento de disfunções sexuais que acometem mulheres.

Das disfunções sexuais em mulheres, podemos citar a anargosmia (dificuldade em atingir o orgasmo), dispaneuria (dor na relação sexual), a Dsh (Desejo sexual hipoativo) e a secura vaginal.

Essas disfunções podem ter diferentes origens. A anorgasmia, por exemplo, é difícil de ser explicada, mas fatores sociais, culturais ou históricos pessoais a cada mulher poderiam gerar essa condição.

Entretanto, sabe-se que a secura vaginal é muitas vezes relacionada com a menopausa. Além disso, há também a dispareunia, que pode ter diversas causas possíveis e a Dsh, que normalmente ocorre com casais de relacionamento mais duradouro.

E o que o vibrador tem a ver com tudo isso? Bom, alguns estudos relacionam o uso do equipamento com uma amenização no sintoma de muitas dessas disfunções. Isso se trata de uma terapia sexual.

Por exemplo, existem relatos de mulheres que alcançaram o primeiro orgasmo com o uso do vibrador, sob orientação de um terapeuta sexual. Em outras palavras, o acessório ajuda a mulher a descobrir sensações até então desconhecidas.

Além disso, há estudo que indica que o uso do vibrador foi benéfico no tratamento de neuropatia sensorial. Pois as fortes vibrações do equipamento proporcionaram um aumento do fluxo sanguíneo da vulva e do clitóris. Como resultado, houve um aumento da sensibilidade genital.

Em conclusão, quando se fala em vibrador, logo se faz alusão ao mundo erótico, como se fosse um tabu. Mas quando estuda-se sua história e sua função em terapias sexuais, percebe-se sua importância para a saúde sexual feminina.

Referência:

RUPP, Karin; TESSARIOLI, Graça Margarete S.; Silva, Luis Antônio. O uso do vibrador como ferramenta complementar no tratamento terapêutico nas disfunções sexuais. In: VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara (Org.) 23º CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. Anais. Curitiba: Centro Reichiano, 2018. [ISBN – 978-85-69218-03-6]. Disponível em: http://centroreichiano.com.br/anais-dos-congressos. Acesso em: 08/05/2019.